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Digitalizar Sim, mas com Segurança: O que a NIS2 Exige do Setor Industrial da Moda

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Digitalizar Sim, Mas Com Segurança

O Que a NIS2 Exige do Setor Têxtil, Vestuário e Calçado

A transformação digital já chegou às fábricas têxteis, aos ateliês e às linhas de produção de calçado. Com ela, chegou também uma ameaça que muitos ainda subestimam — e uma diretiva europeia que já não admite desconhecimento.

Durante décadas, o setor têxtil, de vestuário e calçado (TVC) operou com processos físicos e confiança nas relações pessoais. Hoje, esse paradigma mudou. Sistemas ERP integrados, plataformas de gestão de cadeias de abastecimento, showrooms virtuais, automação industrial e comunicação com fornecedores por via digital são já uma realidade comum — e crescente — em Portugal e na Europa.

Esta digitalização traz ganhos reais: eficiência, rastreabilidade, acesso a novos mercados. Mas traz também vulnerabilidades novas. E é aqui que entra a cibersegurança — não como opção, mas como necessidade estratégica.

O que é a NIS2 e porque importa para o setor TVC?

A Diretiva NIS2 é o novo quadro europeu de cibersegurança, em vigor desde outubro de 2024. Em Portugal, a aplicação plena iniciou-se a 3 de abril de 2026, existindo uma janela de tolerância até 3 de abril de 2027, durante a qual as autoridades podem dispensar coimas se houver prova de um procedimento sério de adaptação. O seu alcance é muito mais vasto do que o da versão anterior, abrangendo agora a indústria transformadora — onde o TVC se enquadra — e impondo novas obrigações às empresas.

O que a NIS2 exige, em concreto, quando aplicável:

  • Gestão de riscos de cibersegurança
  • Planos de resposta a incidentes
  • Notificação obrigatória de ataques em 24 horas
  • Responsabilidade da gestão de topo

O não cumprimento pode resultar em coimas até 10 milhões de euros ou 2% do volume de negócios global.

Os riscos reais numa fábrica ou marca de moda

Um ataque de ransomware pode paralisar uma linha de produção a dias de um prazo de entrega crítico. O roubo de propriedade intelectual — designs exclusivos, moldes, coleções inéditas — pode destruir anos de desenvolvimento. Uma vírus ou vulnerabilidade num fornecedor digital pode contaminar toda a cadeia de abastecimento.

Não são cenários fictícios: são acontecimentos documentados em empresas do setor em toda a Europa.

A realidade é que o elo mais fraco costuma ser humano: um email de phishing, uma password reutilizada, um colaborador sem formação. A tecnologia protege, mas a cultura de segurança é o verdadeiro escudo.

Por onde começar?

Para as empresas do setor, o caminho passa por três prioridades imediatas:

  1. Fazer um diagnóstico honesto dos ativos digitais e respetivos riscos
  2. Implementar medidas básicas (autenticação multifator, backups regulares, segmentação de redes)
  3. Formar toda a equipa, da produção à administração

A NIS2 não é um tema apenas para o departamento de TI — é uma responsabilidade de toda a organização e, em particular, da liderança.

O futuro do setor é digital. Mas um futuro digital sem segurança é um futuro frágil. A NIS2 não é uma ameaça burocrática — é o mapa para construir empresas mais resilientes, mais confiáveis e mais competitivas num mercado global onde cada vez mais os dados valem tanto quanto os produtos.

Por Mavilde Anjos, Digi4fashion@citeve

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